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Pleno emprego: a quem interessa acabar com ele? Por David Filakow Sobrinho

Pleno emprego: a quem interessa acabar com ele?

O Brasil está longe de ser um país de primeiro mundo, mas em alguns aspectos tem o que apresentar. Tem o SUS que, apesar da angústia da espera, os EUA querem copiar, porque lá é pior: morre quem não pode pagar pelo tratamento. Também o pleno-emprego é uma marca do país nos últimos dez anos. Após a crise de 2009, país nenhum do mundo ocidental elevou  empregos e salários. Ao contrário, a recessão ceifa empresas e vagas nos países desenvolvidos. Na Espanha, 60% dos jovens não conseguem colocação, mesmo após perdas salariais e de direitos. Jovens italianos fazem curso de português para emigrarem para o Brasil em busca de oportunidades, onde amigos e parentes já estão.

Mas, o setor financeiro se opõe ao pleno-emprego, para quem produção e empregos não importam, aliás atrapalham, uma vez que vivem basicamente dos juros da dívida do governo. É que a equação é inversa, quanto menor o juro, maior a atividade empresarial produtiva, mais empregos, etc., enquanto juros mais elevados esfriam a economia mas engordam os lucros dos bancos como nos anos 90.

São precisamente as conquistas dos últimos 10 anos que estão na mira desse setor, o mais poderoso no país e no mundo, que dita o humor dos “mercados” (especulativos, não da produção) e o tom da imprensa monopolista no país.

Parte do empresariado produtivo pega carona nessa proposta, quer a volta do arrocho de salário e desemprego em massa, imaginando elevar lucros com salários menores, mas se esquece que no médio prazo isso vai encolher o mercado interno e o atingirá também.

Setores médios, cegos pela propaganda da imprensa, caem na armadilha e se somam aos que se esforçam por destruir conquistas dos trabalhadores e empresários da produção. Sem o saber, defendem o que é dos outros.

Interessante que os portadores da bomba anti-pleno-emprego não dizem ao público o que pretendem, enrolam com conversas sobre corrupção, banco central independente, críticas partidárias, etc. Mas, quem acompanha sabe o que seus conselheiros econômicos pensam.

Elevar o nível do debate é o caminho contra o retrocesso.

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