Em julho, o Sindicato dos Metalúrgicos iniciou um programa de entrevistas em sua fanpage (facebook.com/metalurgicosdecarlosbarbosa). Todas as quartas-feiras, às 19h30min, é realizada uma transmissão ao vivo com um convidado. O objetivo é informar os associados e a comunidade sobre temas como saúde, educação, direitos do trabalhador e economia. A primeira entrevistada foi a psicóloga conveniada ao Sindicato, Elenice Bertoldo, que abordou as consequências da pandemia na saúde mental.
Elenice destacou que os psicólogos de todo o mundo têm relatado um aumento significativo em doenças psicológicas e que estão se agravando com o passar dos meses. Tenho entrado em contato com todos os tipos de público. Percebo que pacientes que eu já tratava com depressão ou outras conformidades, têm apresentado sintomas intensos”, salienta a profissional. As consequências desencadeiam de maneiras variadas e às vezes fica difícil perceber, principalmente em quem tenta não aparentar. “Algumas pessoas são vistas como mais fortes, pois elas precisam ser o suporte nesse momento. Os sintomas começam a ser percebidos no corpo, no ponto mais fraco. Algumas desenvolvem problemas estomacais, na pele ou dor de cabeça”, alerta.

Infodemia

Uma nova doença que está sendo discutida pela comunidade médica é a Infodemia. Conforme declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto de COVID-19 e a resposta a ele têm sido decorrente ao excesso de informações, algumas precisas e outras não. Fica difícil encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando se precisa.
A palavra infodemia se refere a um aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar exponencialmente em pouco tempo, devido a um evento, como a pandemia atual. Nessa situação, surgem rumores e desinformação, além da manipulação de notícias. Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra mais rapidamente, como um vírus. “O que recomendo é que as pessoas não fiquem tão presas ao noticiário. Precisamos, sim, nos mantermos informados nos sites oficiais, mas faça isso com menos frequência. Imagine como ficam pessoas que tem um medo muito intenso de perder familiares ou que são ansiosas e depressivas, por exemplo. Tudo isso vai intensificando as doenças psíquicas”, diz Elenice.

Cuide de seu idoso

A população idosa é mais difícil de lidar, pois nem sempre compreende o que está acontecendo. Para ajudar é importante fazer chamadas de vídeo, pois para eles é importante visualizar o rosto. “Algumas pessoas me contam que chegam na casa do seu familiar, tomando todos os cuidados, e o idoso questiona ‘por que você não me da um abraço? Você está bravo comigo?’ Por isso é importante se mostrar presente de outras maneiras”, orienta.

Violência doméstica

O que também tem preocupado é o aumento de casos de violência doméstica. O confinamento, o desemprego e a incerteza acarretam em agressividade e abuso de álcool. Até mesmo pessoas que não cometiam violência extrema começam a perder o controle e partem para a agressão.

Depressão extrema

A comunidade de psicologia também alerta para a depressão crônica, que pode levar uma pessoa a cometer suicídio. “A pandemia pegou todo mundo. Não tenho dados, mas acredito que tenha aumentado o número de suicídios, se levarmos em conta tudo o que está acontecendo com as pessoas”, diz Elenice.

Crianças

Longe da escola por tanto tempo, o desafio de muitos pais é manter seus filhos menos estressados, organizando o aprendizado e o lazer. “O que podemos fazer é tentar manter uma rotina, pois isso é importante para se organizar. As crianças ficam normalmente mais teimosas e queixosas. É necessário conversar. No pós-pandemia teremos muitos problemas de adaptação. Não vai ser fácil se ajustar. Todos teremos que ter mais paciência com o outro. Já tivemos outras pandemias mundiais, mas as pessoas não ficavam sabendo de tudo o que se passava, por isso não pensavam tanto a respeito”, alerta.

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