Carestia voltando

Carestia voltando

Por David Fialkow Sobrinho
Mestre em Economia

Quem vai ao supermercado precisa cada vez mais dinheiro para comprar menos coisas. Lembra a carestia de vida que afligiu as famílias no final da década de 70 e que resultou no Movimento contra a Carestia, liderado pelas donas de casa de São Paulo e que se alastrou pelo país.


É a inflação que não para de subir. Nos dois últimos anos, o preço da cesta básica de alimentos subiu 32,56%. Em 2020, a inflação oficial, IPCA, foi de 4,5%, mas o preço dos alimentos subiu 15,5%. Vilões: o óleo de soja subiu 104%, o feijão, 81,4% o arroz, 75,3% e a batata inglesa, 67,3%. Só dois meses de 2021, o gás de cozinha subiu 22% e a gasolina 34,8%. A inflação pesou mais para as famílias mais pobres, 6,75% nos doze meses até fevereiro; para as famílias ricas 3,43%, dados do IPEA.


Também os empresários que vivem do comércio local sentiram a alta no preço dos insumos. Mesmo apertando margens e outros malabarismos para conter os repasses aos preços finais dos produtos, algum reajuste foi inevitável. Os preços são novo fator que espanta o consumidor e se soma à queda de demanda que já vinha de antes, pela situação de pandemia.


O poder aquisitivo caiu muito. Contribuiu para isto o fim das correções do Salário Mínimo acima da inflação nos últimos dois anos, o que inverteu a política que ocorrera nos vinte anos anteriores. Como o Mínimo é referência, os demais rendimentos também estagnaram termos reais.


A fraqueza da economia nos últimos três anos levou a menos vagas, menores remunerações e o crescimento de empregos precários, como uberização, pejotização e terceirização, impulsionados pelos cortes dos direitos trabalhistas. O poder aquisitivo desabou.


Chama a atenção que sobe a inflação, mas as rendas estão contidas. Mostra o erro da tese de que salários maiores geram inflação. Na década de 2000, os salários tiveram reajuste reais, e a inflação se comportou.
O governo de agora reagiu subindo juros, o que não resolve a inflação e ainda aciona um freio ao crescimento.
Empresários e trabalhadores precisam de alternativa. Urgente.

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