Mortes de idosos por covid-19 no Brasil tiram R$ 3,8 bilhões da economia

Mortes de idosos por covid-19 no Brasil tiram R$ 3,8 bilhões da economia

Hoje, a estimativa é de 301 mil idosos tenham morrido por covid-19 desde o começo da pandemia até abril de 2021. Com essas mortes, foram tirados de circulação cerca de R$ 3,8 bilhões, o que aproximou da pobreza famílias que dependiam dos familiares mais velhos, segundo Ana Amélia Camarano, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e especialista em terceira idade. Esse valor corresponde a 1,3% do rendimento total dos brasileiros no ano de 2019, que foi de cerca de R$ 294,4 bilhões, segundo o IBGE. As informações são do Valor Econômico. 

Para calcular o número de mortes, o Valor Data compilou dados, usou informações do CRC (Centro de Informações de Registro Civil). Segundo informações da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) 2019, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a renda média de pessoas com mais de 60 anos era de R$ 2.249.

Sustentando a família

Segundo Ana Amélia, quando um idoso que sustenta a família morre, a renda per capita dos familiares vai de R$ 1.475,60 para R$ 760,40, uma queda de 48,4%. Para a especialista, “em muitos casos, quando o idoso morre, a família entra na pobreza, sobretudo agora em que são poucas as chance de recomposição da renda em meio à crise e desemprego alto. O impacto é menor quando algum dos outros familiares adultos perde o emprego ou morre. Nesse caso, a queda na renda de quem sobrevive é de 43,7%. 

“No Brasil, ainda se entende a Previdência Social como gasto e não como elemento estrutural do Estado de bem-estar social”, segundo a economista do Ipea. Assim como ela, outros especialistas em terceira idade acreditam que a universalização da Seguridade Social com a Constituição de 1988 não trouxe benefícios apenas aos idosos. “Com a renda obtida pela Seguridade Social, eles [idosos] assumem uma salvaguarda de subsistência familiar e invertem o papel social de dependentes para provedores”, diz Ana Amélia. 

Ela ressalta que o número de idosos que sustentam as famílias aumentou com o envelhecimento da população e do crescimento do número de pessoas que não estudam nem trabalham. Segundo a Pnad Covid-19 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Covid-19) feita em novembro do ano passado, das 34,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (19 milhões), 55,4% moravam com parentes ou empregados domésticos.

Perda maior?

Entretanto, para o diretor do FGV Social (Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas), o economista Marcelo Neri, a estimativa de perda de renda de R$ 3,8 bilhões é conservadora, por não colocar na conta o desemprego entre idosos durante a pandemia. 

Entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020, a perda real da renda de pessoas com mais de 60 anos que trabalhavam foi de 18%. “Os idosos são duplamente penalizados na pandemia, com mais mortes e desemprego maior”, lembra Neri.

O fenômeno se soma à perda das aposentadorias e pensões. Neri afirma que os números do INSS acusam redução de 31% no número de benefícios entre janeiro de 2020 e igual mês de 2021. 

Fonte: Valor Econômico