Política industrial, por favor!

David Fialkow Sobrinho
Mestre em Economia

Afora Carlos Barbosa, em que as principais metalúrgicas vão de vento em popa, no Brasil a indústria mal ensaiava crescer, passada a fase mais aguda da pandemia, e já se depara com obstáculos.

O Banco Central elevou os juros, prejudicando o crescimento, enquanto o governo cria turbulência política perturbando os investimentos.
As altas nos combustíveis encareceram os insumos e os produtos. As tarifas de energia elétrica aumentam os custos de produção. Boa parte dos quais não pode ser repassado aos consumidores, já sufocados pela inflação, desemprego e baixos salários. Arrisca estancar o crescimento.

Para piorar, fatores de produção, como semicondutores para veículos e aço, estão em falta, o que gera paradas na produção, sem contar que os preços destes fatores subiram, dada a pequena quantidade ofertada. Retrato da ausência de coordenação.

Estes problemas seriam evitados ou reduzidos se o país contasse com uma política industrial. Mas, política industrial é nome feio na ideologia do atual governo, que acredita que bastaria ter equilíbrio fiscal e austeridade que as coisas funcionariam, num passe de mágica.

As nações que crescem não acreditam em Papai Noel, promovem políticas industriais ativas em defesa de suas empresas, em particular da indústria.
Fazem ações coordenadas, cuidando das cadeias de valor, evitando a falta de insumos essenciais, inclusive, se necessário, passando a produzi-los no país em vez de importá-los.

Acionam escolas e universidades que garantem mão de obra qualificada, de acordo com as necessidades, e cujos centros de pesquisa fornecem tecnologia de ponta.

Apoiam as empresas locais com financiamento barato. Garantem energia e logística eficientes e de baixo custo, bem como compras do governo assegurando escala à produção das indústrias nacionais, etc.

Trabalham com visão de longo prazo, em cada passo, geram-se pequenos acúmulos que, com o tempo, tornam-se grandes e sólidos. Num ambiente de planejamento, imprevistos acontecem, mas podem ser contornados com menor dose de improviso e imediatismo.