Construindo o sindicato de todos nós
Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa

Notícia

Machismo: estudos comprovam que mulheres trabalham e estudam mais e ganham menos

Estudos divulgados recentemente apresentam um panorama da violência a que as mulheres são submetidas no mundo. E o Brasil, infelizmente, se destaca entre os países mais violentos. Por isso, “a união do movimento feminista é crucial para mudarmos essas abomináveis estatísticas”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostra que as mulheres trabalham mais, estudam mais e ganham menos que os homens. Além disso, confirma a dupla jornada. Em 2016, elas trabalhavam 73% a mais nos afazeres domésticos.

De acordo com Barbara Cobo, coordenadora do IBGE, 28,2% das mulheres trabalham em período parcial de até 30 horas semanas, enquanto entre os homens o índice é de 14,1%. Mas “mesmo com trabalhos em tempo parcial, a mulher ainda trabalha mais. Combinando-se as horas de trabalhos remunerados com as de cuidados e afazeres, a mulher trabalha, em média, 54,4 horas por semana, contra 51,4 dos homens”.

“Uma das principais bandeiras do movimento feminista trata exatamente da divisão do trabalho doméstico, porque com esse acúmulo, as mulheres têm menos tempo para si próprias, adoecendo mais e muitas vezes perdendo o emprego”, afirma Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

Já o instituto Ipsos divulgou nesta quarta-feira (7), um levantamento que fez em 27 países e constatou que, no mundo, 32% das mulheres temem o assédio sexual. Preocupação seguida pela violência sexual (28%) e violência física (21%).

Já no Brasil, a situação é ainda mais preocupante. No quinto país mais violento contra as mulheres, 47% delas temem a violência sexual, o assédio sexual é temido por 38% e a violência física por 28% das brasileiras.

“O movimento sindical, os movimentos sociais e as feministas devem atentar para esses dados”, reforça Arêas. “É mais do que essencial estarmos juntas para acabar com essa violência machista e misógina”.

As mulheres enfrentam essa violência cotidiana desde a idade mais tenra. A Organização Mundial da Saúde divulgou dados recentemente mostrando que uma em cada cinco meninas e um em cada treze meninos sofre abuso sexual no mundo. No Brasil, sabe-se que a maioria dos casos ocorre dentro de casa, onde as crianças deveriam sentir-se mais protegidas.

“Tudo é resultado da cultura do estupro”, acentua Pereira. Para ela, “a onda conservadora quer que a mulher seja apenas bela, recatada e do lar, sempre disposta aos caprichos dos homens”.

E isso não é tudo. O IBGE comprova também que apesar de trabalharem mais e estudarem mais, as mulheres ganham em média 23,5% a menos que os homens, exercendo a mesma função.

Além disso, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostra que as mulheres perderam 42,5 mil postos de trabalho em 2017, enquanto os homens ganharam 21,6 mil postos, num total de 20,8 mil vagas fechadas.

A queda da presença feminina em cargos gerenciais comprova também que a crise afeta mais as mulheres. Em 2016, 37,8% exerciam essa função no mercado de trabalho, enquanto em 2015 o índice era de 39%, além de serem as primeiras a perder o emprego e as últimas a conseguirem recolocação.

Para Cobo, “a mulher tem a escolarização necessária ao exercício da função, consegue enxergar até onde poderia ir na carreira, mas se depara com uma ‘barreira invisível’ que a impede de alcançar seu potencial máximo”.

Uma barreira nem tão invisível assim. “Todos esses estudos mostram que o machismo atrapalha o progresso econômico e inviabiliza o desenvolvimento civilizacional da nação. A hora é de resistir e avançar para acabar com a cultura patriarcal que nos oprime,  ocupando os espaços públicos e com mais mulheres com poder de decisão”.

Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

+ Notícias

código captcha