Por Todson Marcelo Andrade
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa

Estamos chegando a mais uma eleição. É um momento importante não apenas para escolher nomes, partidos ou candidatos, mas principalmente para refletir sobre qual projeto de país queremos para os próximos anos.

O Brasil vive hoje um cenário de baixo desemprego. A taxa de desocupação chegou a 5,3% no trimestre encerrado em julho, enquanto a economia continua crescendo. São números importantes, porque emprego e desenvolvimento fazem diferença na vida das famílias. Mas nenhum indicador, sozinho, responde tudo.

Por isso, cada trabalhador deve fazer também a sua própria avaliação. Como estava minha vida alguns anos atrás? Como está hoje? Tenho mais oportunidades? Meu salário e meu poder de compra melhoraram? Tenho segurança para planejar o futuro da minha família? E o que ainda precisa mudar?
Para nós, desenvolvimento não pode ser medido somente pelo crescimento do PIB ou pelo lucro das empresas. Um país realmente desenvolvido precisa gerar empregos de qualidade, fortalecer sua indústria, valorizar salários, investir em educação, saúde e infraestrutura e permitir que o crescimento econômico chegue também à mesa e à vida de quem trabalha.

Existem ainda mudanças importantes em discussão. Uma delas é a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A proposta que estabelece jornada máxima de 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, avançou no Congresso Nacional. É uma discussão que envolve qualidade de vida, produtividade, geração de empregos e, principalmente, mais tempo para o trabalhador viver e conviver com sua família.

É justamente aí que precisamos compreender a importância do voto. Não elegemos apenas o presidente da República. Elegemos também deputados, senadores e governadores. São eles que irão discutir e decidir sobre jornada de trabalho, direitos, políticas de emprego, investimentos, desenvolvimento industrial, saúde, educação e tantas outras questões que chegam diretamente à vida da população.

Por isso, é importante conhecer as propostas e observar se aqueles que escolhemos estão comprometidos com as necessidades dos trabalhadores e com o desenvolvimento do país e das nossas comunidades. Não basta escolher um nome para presidente e esquecer os demais cargos. Para que um projeto de país avance, Executivo e Legislativo possuem responsabilidades diferentes e precisam responder às escolhas feitas pela sociedade.

Também precisamos pensar na soberania nacional. O mundo atravessa disputas econômicas, comerciais e geopolíticas cada vez maiores. O Brasil precisa ter capacidade de dialogar com diferentes países, mas também defender sua indústria, seus empregos, suas riquezas e seus interesses. Desenvolvimento nacional significa produzir mais aqui, gerar tecnologia, fortalecer nossas empresas e transformar essa riqueza em oportunidades para nossa população.

O Sindicato tem suas posições e continuará defendendo aquilo que historicamente faz parte da luta dos trabalhadores: emprego, salário digno, redução da jornada, direitos, indústria forte e desenvolvimento com justiça social. Mas o voto pertence a cada cidadão.

No próximo dia 3 de outubro, antes de votar, faça uma reflexão. Olhe para sua vida, para sua família, para o seu trabalho e para aquilo que espera dos próximos anos. Pesquise as propostas, conheça a trajetória dos candidatos e pense não apenas no presente, mas no país que queremos deixar para nossos filhos.

Democracia é também isso: refletir, participar e escolher conscientemente. Porque o futuro do Brasil passa pelas mãos de quem trabalha.