
Por Todson Marcelo Andrade, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa
As eleições terminaram. O povo brasileiro foi às urnas e fez sua escolha. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República, com 64.256.232 votos, uma diferença de 4.430.191 votos em relação a Flávio Bolsonaro.
Mas, depois de uma eleição tão disputada, talvez a reflexão mais importante não seja apenas sobre quem venceu ou perdeu. É sobre como vamos seguir daqui para frente.
Foram meses de muita disputa, divergências fortes e uma polarização que, em muitos momentos, ultrapassou a política e chegou às famílias, às amizades, aos locais de trabalho e às nossas comunidades. Agora é hora de reconstruir pontes.
Quem votou em um candidato continua sendo brasileiro. Quem votou no outro também. A democracia não exige que todos pensem igual. Pelo contrário: ela existe justamente para que possamos discordar e continuar convivendo com respeito.
Terminada a eleição, continuamos sendo colegas de fábrica, vizinhos, familiares e amigos. Continuamos dividindo as mesmas ruas, escolas, postos de saúde, empresas e comunidades. E a grande maioria das pessoas quer coisas muito parecidas: emprego, salário digno, segurança, saúde, educação, oportunidades para os filhos, democracia, respeito e paz. É nisso que precisamos voltar a nos encontrar.
O Brasil precisa olhar para frente, fortalecer sua indústria, o comércio e os serviços, continuar gerando empregos e investimentos e fazer com que o crescimento econômico também se transforme em melhores salários, distribuição de renda e qualidade de vida para a população. Desenvolvimento de verdade precisa chegar à mesa e à vida de quem trabalha.
E união não significa tolerar tudo. Quem transforma divergência política em ameaça, perseguição, violência ou prática criminosa deve responder pelos seus atos perante a Justiça, com respeito à lei e ao devido processo legal. Posições extremistas não podem pautar a convivência de toda uma sociedade. Precisamos isolar a intolerância e fortalecer aquilo que une a imensa maioria dos brasileiros: o respeito, o diálogo, a paz e a convivência democrática.
Para o Sindicato, essa responsabilidade continua a mesma. O Sindicato pertence a todos os trabalhadores, independentemente de partido, religião ou preferência eleitoral. Nossa função é representar a categoria, defender direitos, buscar melhores salários e condições de trabalho, dialogar e cobrar de qualquer governo aquilo que for importante para quem vive do seu trabalho.
Todos os setores da sociedade possuem representação e defendem seus interesses. Empresários, comércio, agronegócio, sistema financeiro e diferentes segmentos se organizam. Os trabalhadores também precisam estar organizados e ter sua voz respeitada.
O presidente reeleito terá a responsabilidade de governar para todos, inclusive para aqueles que não votaram nele. E todos nós temos o direito de fiscalizar, cobrar resultados, reconhecer avanços e apontar aquilo que precisa melhorar.
Nenhum país avança transformando metade da população em inimiga da outra metade. Podemos continuar discordando. Podemos defender ideias diferentes e cobrar com firmeza. Mas precisamos recuperar o respeito e compreender que o Brasil pertence a todos nós.
As urnas escolheram quem vai governar. Agora começa outra tarefa: reunir o país em torno do desenvolvimento, do emprego, da valorização de quem trabalha, da democracia, do respeito e de uma vida melhor para todos.
Que a esperança seja maior que o medo, que o diálogo seja maior que a intolerância e que nossas diferenças nunca sejam maiores que aquilo que nos une.
A eleição terminou. O Brasil continua. E o Brasil precisa de todos nós.
Juntos somos mais fortes!