A força da indústria de transformação e o trabalho dos metalúrgicos são o verdadeiro motor da economia de Carlos Barbosa. Dos 14.633 trabalhadores com carteira assinada no município em maio de 2026, 9.095 estão empregados na Indústria de Transformação. Isso significa que mais de 62% de toda a força de trabalho formal da cidade atua no setor industrial. O destaque fica para o segmento de Cutelaria, que sozinho concentra 5.416 trabalhadores, respondendo por 37% de todos os empregos formais do município.

Essa relevância se traduz em números expressivos no mercado de trabalho: entre janeiro e maio de 2026, a cidade gerou 562 novas vagas formais, superando as 388 criadas no mesmo período de 2025. A indústria respondeu por 437 desses novos postos de trabalho, sendo que a Cutelaria gerou 284 novas vagas, correspondendo a 51% de todas as oportunidades de emprego abertas em Carlos Barbosa no ano. Os dados foram apresentados pela economista-chefe do DIEESE-RS, Daniela Barea Sandi, durante a Assembleia Geral de Dissídio, marcando o início da Campanha Salarial 2026, realizada em 11 de julho. (Geração de novas vagas de trabalho em Carlos Barbosa – janeiro a maio de 2026: em 2026 o resultado positivo de novas vagas de trabalho superou o mesmo período de 2025).

Essa contínua expansão do emprego industrial ocorre em paralelo a um desempenho financeiro bilionário das maiores indústrias da região. O faturamento somado das unidades do Grupo Tramontina atingiu R$ 9,8 bilhões em 2025, com crescimentos expressivos em plantas locais como a Tramontina Eletrik, que avançou 17,0% e somou R$ 1,06 bilhão, e a Tramontina Farroupilha, com alta de 15,2% para R$ 815,7 milhões. No entanto, dados históricos do IBGE revelam que a fatia do Excedente Operacional Bruto (lucros e capital retido pelas empresas) subiu para 37,5% do PIB, enquanto a participação destinada aos salários recuou para 31,0%. Com o setor em plena aceleração, o reajuste com ganho real surge como uma necessidade justa de redistribuição da riqueza produzida.

A necessidade do ganho real torna-se ainda mais evidente diante da defasagem acumulada pelo custo de vida. Embora a estimativa do INPC para a data-base de agosto de 2026 aponte um acumulado de 4,39%, a desaceleração da inflação oficial significa apenas que os preços sobem mais devagar, sem reduzir o patamar elevado atingido nos anos recentes. Na capital, a cesta básica encerrou junho cotada em R$ 889,58 (acumulando alta de 7,00% em 12 meses), puxada por reajustes expressivos em alimentos indispensáveis, como batata (+51,55%), tomate (+24,73%), feijão (+7,52%) e pão (+6,60%). Essa defasagem fica nítida ao comparar o orçamento familiar com o Salário Mínimo Necessário calculado pelo Dieese, estimado em R$ 8.110,92.

A busca por avanço real nos salários em Carlos Barbosa reflete um movimento consolidado em todo o país e no cenário regional. Entre janeiro e maio de 2026, 88,8% dos acordos coletivos no Brasil garantiram reajustes acima do INPC, com ganho real médio de 1,71%. Na categoria metalúrgica nacional, 87,6% das negociações fecharam com ganho real nas últimas 12 datas-bases (média de 1,25% acima do índice). Na Serra Gaúcha, os trabalhadores do setor em Bento Gonçalves conquistaram 5,30% em maio (com 1,14% de ganho real e piso de R$ 2.212,35), enquanto propostas sem ganho real continuam sendo rejeitadas pelas bases, a exemplo do ocorrido recente em Caxias do Sul.

“Aprovamos em assembleia, por unanimidade, a busca pela reposição integral da inflação acrescida de 2% de aumento real, a manutenção de todas as cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho, a elevação do piso salarial para R$ 3 mil e a ampliação do quinquênio para 15% do piso, como forma de reconhecer e valorizar os trabalhadores com maior tempo de empresa. Esses números são embasados por um estudo criterioso do Dieese. Vale lembrar que, unidos, temos poder de reivindicação, mas sozinho o metalúrgico não consegue se defender. Quando o trabalhador está sozinho, é difícil lutar por direitos, mas, juntos, conseguimos defender conquistas e avançar por reajustes salariais e melhores condições de trabalho”, destaca o presidente do Sindicato, Todson Marcelo Andrade.

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