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David Fialkow Sobrinho, mestre em Economia

A redução de jornada para 5×2 é uma mudança de paradigma. Novos paradigmas costumam gerar inseguranças. O medo do novo é coisa comum de ocorrer, mas sem as mudanças ainda estaríamos na Idade da Pedra.


O melhor é debater com ponderação, racionalidade e considerar múltiplos aspectos. Primeiro, que a redução da jornada é uma necessidade e tendência histórica. Desde o século 19, o movimento operário e intelectual lutava pelo limite de jornada para 8 horas diárias.


Henri Ford deixou espantado o empresariado norte-americano quando, em 1926, reduziu a jornada do trabalhadores da indústria de automóveis que levava seu nome para 40 horas semanais, e mudou a escala 6×1 para 5×2 sem rebaixar os salários.

Prático, viu que a exaustão reduzia o rendimento. A jornada menor resultou em maior produtividade dos trabalhadores. Ao produzir mais carros, a receita da Ford aumentou, permitido pagar com sobras a menor jornada As previsões de perdas do patronato foram superadas pela produtividade e PIB maiores por décadas.

No pós-2ª Guerra, França e Alemanha lideraram nações europeias na redução da jornada, levando a grande crescimento do PIB e ascensão social.

No Brasil, o limite de jornada (e CLT) de Vargas inaugurou período de 50 anos de crescimento econômico, sem par no mundo ocidental.

Como se vê, a redução de jornada liga-se a períodos de forte crescimento, pois induz o empresário e os órgãos de pesquisa públicos à inovação e tecnologia.

É possível que algumas mentalidades imaginem elevar lucros apenas apertando o trabalhador, sem se dar conta de que inovando podem ganhar mais e também assegurarem melhores condições ao trabalhador.

As pequenas e médias podem ter alguma dificuldade, o que recomenda medidas de apoio do governo. Mas, há empresários de pequeno porte que já praticam voluntariamente a jornada 5×2 com bons resultados.

Numa experiência prática, o Projeto Piloto da Semana de 4 dias (4×3) no Brasil mostrou ganhos significativos na produtividade e redução do estresse.

Muitos outros aspectos não foram tratados aqui em respeito aos limites de espaço.
Uma coisa é certa, os trabalhadores merecem mais tempo fora do trabalho. Estudar, conviver com filhos e família, praticar esportes e ter acesso à cultura são essenciais à vida.

Outra coisa é que as aspirações dos trabalhadores se conectam com a marcha da evolução da humanidade e de tecnologias novas.

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