
Por David Fialkow Sobrinho – economista
Para entender o processo eleitoral, é preciso ver a base econômica por trás das aparências. Ver quais os interesses de classe, os projetos neocoloniais externos e o conflito entre concentrar ou distribuir renda.
A economia brasileira é fortemente financeirizada. Um punhado de multibilionários vive dos juros que o governo lhes paga, drenando boa parte do Orçamento Público.
Isto enfraquece a capacidade do governo de impulsionar o desenvolvimento e assegurar o básico a duzentos milhões de brasileiros.
Os rentistas têm supremacia no Estado brasileiro, moldam o Congresso e o Judiciário a seus interesses. Estendem seus tentáculos ao conjunto de leis, à imprensa, às redes sociais e às universidades.
Os escândalos do rentista Vorcaro são apenas um subproduto adoecido desta supremacia.
Mas, há setores que se opõem a este poder. O atual governo, por exemplo, se une às empresas nacionais, estimula a capacidade de inovação e tecnologia, através do Nova Indústria Brasil. Promove melhorias sociais, como Minha Casa, Pró-Uni e Desenrola para aliviar endividamento.
Mas não consegue ir mais longe, pois esbarra no Congresso e na mídia, virtuais muralhas sob influência do rentismo. Cada passo em frente é difícil. A isenção do imposto de renda até 5 mil reais demorou e enfrentou barragem de críticas.
O financiamento tecnológico, tão necessário à indústria, é alvo de reprovação.Mofa no Congresso o Plano do governo de combate ao crime organizado por pressão da Faria Lima. A criação de institutos federais de Educação, passaporte da juventude ao futuro, são alvo da mesma artilharia. Para os rentistas estas seriam ações irresponsáveis, só aprovam despesa pública que se destine pagamento de juros para eles.
Enquanto isso, os EUA não escondem que têm um plano para subordinar o Brasil a seus interesses exclusivos. Não se trata da antiga busca por sócios menores locais, agora exigem submissão total. Querem restringir nossas relações comerciais e de investimento com o mundo ao que estiver em suas metas econômicas e geopolíticas.
Isto afundaria o Brasil a uma condição neocolonial, economicamente decadente, com empobrecimento maior da população e intensificação do crime organizado.
É parte do plano dos EUA a guerra híbrida, usando as Big Techs e suas influências econômicas para dividir os brasileiros, minar nossas instituições. Assim, fica mais fácil submeter-nos. Contam com aliados internos no rentismo e na política para trair a Nação em favor do estrangeiro por trinta dinheiros. Repetem Silvério dos Reis na Inconfidência.
Por trás da profusão de polêmicas, algumas interessantes, não se pode perder de vista o embate fundamental entre a defesa da Nação e do desenvolvimento que gere empregos de qualidade versus os vende-pátria e magnatas das finanças sugando o país.